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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Simbolismo Esotérico no Vídeo Viral "Eu, Bode de Estimação II"

Artigo traduzido: 

"Eu, Bode de Estimação II" ("I, Pet Goat II") é um vídeo de animação, feito em computador, carregado de mensagens silenciosas e simbolismo esotérico. Apesar de o filme não ter diálogos, cada símbolo conta uma parte de uma história que abrange os campos da história, política, conspirações ocultas e espiritualidade. Vamos olhar para o significado esotérico por trás do viral "Eu, Bode de Estimação II".

Produzido pela produtora canadiana Heliofant, "Eu, Bode de Estimação II" é um pequeno filme de animação que rapidamente se tornou viral através da internet. Elogiado pelas suas proezas visuais e pelo seu imaginário interessante, o vídeo, porém, deixou muita gente confusa acerca do seu significado simbólico. Política, conspirações e operações clandestinas são misturadas com a espiritualidade esotérica e simbolismo oculto. Aqui está o vídeo: 


Depois de assistir ao vídeo, muitos podem pensar algo como "O que raio é que eu acabei de ver?". A história não é linear e existem muitos elementos crípticos e enigmáticos no filme. Eu não pretendo descodificar totalmente cada símbolo representado no vídeo, mas muitas das mensagens são facilmente compreensíveis devido ao seu simbolismo bastante evidente. 

No geral, o filme parece ser sobre o clima político e social da década passada - os fantoches dos presidentes, os ataques terroristas de bandeira falsa e o controlo mental dos feiticeiros. Então, seguindo a figura de Cristo, deixamos toda a tristeza para trás, para começar uma nova era de esperança. Em suma, a história é sobre o triunfo da iluminação espiritual contra as forças das trevas. Vamos olhar para o filme e para alguns dos seus muitos detalhes. 

EU, BODE DE ESTIMAÇÃO II

The Esoteric Symbolism of the Viral Video “I, Pet Goat II”
A cena de abertura já está repleta de simbolismo. 
O vídeo começa com uma cena interessante: uma cabra dentro de uma caixa, no que parece ser algum tipo de campo de concentração (FEMA). O bode tem na cabeça um código de barras com os números 666. Se "Eu, Bode de Estimação" é acerca da libertação das forças das trevas, esta primeira cena parece retratar precisamente o oposto. Será que esta cabra representa aqueles que foram "encaixotados" com um código de barras e sujeitos a lavagem cerebral pelo sistema corrupto? O uso do pronome "eu", no título, implica que a cabra pode ser, de facto, o próprio espectador. 

O TEATRO DE FANTOCHES QUE É A POLÍTICA 

Na primeira parte do vídeo, um mestre de marionetes escondido controla George "Dubya" Bush, dentro de uma sala de aula. Quando os aviões atingiram o World Trade Center, em Setembro de 2001, Bush estava numa sala de aula a ler o livro "My Pet Goat" às crianças. O chão quadriculado maçónico da sala de aula pode significar que esta farsa teve uma componente ritualista. 

Bush dança, faz caretas assustadoras e diz coisas triviais para manter as massas ignorantes acerca da verdade. 
Bush é um gráfico interessante que descreve a evolução da humanidade a partir dos peixes, passando pelo macaco, até ao homem que segura uma arma. Qual é o estágio final da evolução? O homem iluminado, representado por uma aura de luz em torno da sua cabeça. 
Bush usa um chapéu de bobo. Esse chapéu cónico é posto aos alunos mais "lentos" para os humilhar. Quando Bush está a fazer de tolo, transforma-se em Obama, um homem encantador e distinto, a usar um chapéu de graduado. Ele começa por ser agradável e amável, mas ele no final termina a rir-se da plateia. Apesar de ele parecer ser a resposta perfeita para a idiotice da era Bush, o facto permanece: ele é somente mais um fantoche controlado pelo mestre das marionetas.

Enquanto a maioria do público está totalmente alheia ao que está a acontecer, uma menina não está a engolir a história.

Enquanto as massas parecem ser surdas, mudas e cegas (e contido por arame farpado), esta menina percebe que "esta maçã não é dela" e larga-a. Obama está preocupado com o despertar da menina. 
Somos, então, levados para o mundo frio e cheio de neve, lá fora, em torno da escola. Numa parede, há um  grafitti com uma mensagem importante.

No muro da escola está um grafitti onde se lê "Salmo 23".
O versículo bíblico referido no grafitti parece prever a jornada em que os espectadores estão prestes a embarcar.
1 O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas.
3 Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
4 Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
6 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias.
Salmo 23
UM MUNDO EM DECADÊNCIA 

O mundo lá fora está escuro, frio e literalmente em decadência. É triste, corrupto e tudo o que está a agitar-se e a ruir.

A dada altura, duas torres, que lembram o WTC, caem. Depois, percebemos foi um "trabalho interno".

Bin Laden está a usar um crachá da CIA, insinuando-se o facto de ele ser uma ferramenta usada pelo governo americano para avançar na sua agenda. A lua crescente, um símbolo associado com o Islão, é invertida, o que pode ser uma maneira de dizer que tudo isto relacionado com a Al-Qaeda é uma perversão e uma exploração do Islão. 
Enquanto um derramamento de óleo se espalha por todo o lado, uma estrela de seis pontas aparece sob a Estátua da Liberdade, rebaptizado pelos criadores do filme "A Dama de Helotry" ("helotry" significa servidão ou escravidão).

Será a estrela de seis pontas (também conhecida por Estrela de David), que aparece sob a Lady of Helotry, uma maneira de dizer que os EUA são altamente influenciados por Israel? 
Enquanto o mundo desmorona, muitas instituições antigas desaparecem ou são destruídas.

Esta mesquita é destruída por caças.
Este trabalhador latino está a afundar-se, juntamente com a sua foice e o martelo - o que representa o desaparecimento do marxismo nos países do terceiro mundo. No site oficial do Heliofant é dito: "Depois de anos de exploração económica e de degradação ambiental, Juan 'Pepito' tem uma sensação de afundamento." 
CONTROLANDO AS MASSAS 

O mundo está sob o feitiço de um feiticeiro maligno chamado Drako. De acordo com os criadores do filme, Drako é:
"O Feiticeiro, a mão invisível e o espírito do mal em busca de cada vez mais controlo, através de ratoeiras, mentiras, venenos, falsas bandeiras, guerras e montanhas de sistemas burocráticos e legais para desviar a energia dos habitantes da Terra. Ele teme a luz do dia como teme a própria vida, e opera nas sombras. O seu maior poder é o seu domínio sobre a emissão da moeda."
Isto soa ao que chamamos de Illuminati? Sim, soa.

Da mesma forma que os Illuminati tentam fazer lavagem cerebral às crianças desde o nascimento, Drako ora sobre este nascituro chamado Ludovic.

O olho reptiliano de Drako espera o nascimento de Ludovic. 
Na tradição esotérica, o símbolo do ovo da serpente-entrelaçada é conhecido por Ovo Órfico. Em suma, ela representa a semente latente da vida e do potencial infinito da criação. Por outras palavras, apesar esta cria parece não ter esperança, ela ainda tem o poder de alcançar o seu pleno potencial. 
Quando o ovo é chocado e a criança nasce, Drako assume, literalmente, o controlo da sua mente de uma forma assustadora e parasitária.

Drako tem a pirâmide e "olho que tudo vê" (encontrado na nota de 1 dólar dos EUA) no seu queixo. Isto não só representa o facto de que ele controla a moeda, como representa também os Illuminati. Debaixo do olho de Drako está o ditado "Ordo Ab Chao" - "Ordem no Caos", slogan favorito da elite ocultista. Além disso, o rosto tem apenas um olho aberto. Poderia ele representar mais fielmente os Illuminati? 
O LIBERTADOR 

No meio de todo este caos, emerge uma figura com o poder de resolver tudo.

A navegar num barco cerimonial egípcio, Jesus Cristo parece estar em transe. 
A figura de Cristo tem um terceiro olho pintado sobre a glândula pineal, o que se refere ao conceito de iluminação espiritual. O triângulo acima do olho representa a divindade e que a iluminação que leva ao contacto com a própria natureza divina. Os símbolos na testa de Cristo estão em completa oposição a pirâmide no queixo do Drako. Embora ambas as figuras enverguem símbolos semelhantes nos seus rostos, Cristo tem-nos "direitos" e Drako tem-nos invertidos, o que significa que ele (e os Illuminati) corromperam esses símbolos antigos.

Baptizada pelos criadores do vídeo "O Fogo da Verdade", a figura de Cristo não é para ser o próprio Jesus Cristo, mas uma representação do conceito de Cristo Interior, conforme definido pelo Gnosticismo. De acordo com esta corrente esotérica do Cristianismo, o Cristo Interior é o potencial que há em todos para alcançar a divindade através da iluminação espiritual. No site Heliofant, "O Fogo da Verdade" é descrito como:
"Isto é VOCÊ! Quando toma consciência da sua filiação com o Divino e com a irmandade da Humanidade!" 
Quando a figura de Cristo sopra o fogo da verdade sobre o mundo, algumas personagens oprimidas ou angustiadas voltam à vida, como Ludovic, a criança dentro do ovo. Além disso, Aali, um menino muçulmano que foi o e morto, volta à vida.

Um pequeno Aali emerge dos destroços da mesquita destruída, girando num traje tradicional dervixe. 
O menino está a executar a antiga arte de giro Sufi, que é praticada pelos dervixes sufis da ordem Mevlevi. Os dervixes são uma corrente esotérica antiga do Islão.
"Os mistérios da fé islâmica estão agora sob a guarda dos dervixes - homens que, renunciando à vida mundana, resistiram ao teste dos mil e um dias de tentação. Jelal-ud-din, o grande sufista persa, poeta e filósofo, é reconhecido por ter fundado a Ordem Mevlevi, ou os "Dervixes Dançantes", cujos movimentos de dança representam os movimentos dos corpos celestes e, esotericamente, estabelecem um ritmo que estimula os centros da consciência espiritual no corpo do bailarino." 
Manly P. Hall, "The Secret Teachings of All Ages"
Derviches Dançantes
O renascimento do menino muçulmano como dervixe dançante assinala que existe uma ligação entre ele e o Cristo Interior: ambos representam a iniciação em escolas esotéricas, onde que todos têm um objectivo comum - o contacto com a divindade através da iluminação espiritual. Outras religiões com correntes esotéricas, como o Hinduísmo (representada por um Shiva dançante), também estão representadas no filme. Estará a figura de Cristo, talvez o Anti-Cristo, a eludir todas as religiões para o seguirem? Talvez.

Quando a figura de Cristo sai da Catedral, o edifício (que era guardado por uma gárgula de aspecto demoníaco) desintegra-se atrás dele.

Nesta nova era de iluminação espiritual, elaborados edifícios feitos pelo Homem tornam-se desnecessários e obsoletos. Por conseguinte, desmoronam e desaparecem. 
Quando a noite se transforma em dia, a figura de Cristo abre os olhos ardentes e navega em direcção à luz solar. Flores de lótus, símbolo da iluminação espiritual na filosofia oriental, aparecem atrás dele, confirmando aos espectadores que o caminho para a liberdade é realmente espiritual.

CONCLUSÃO 

"Eu, Bode de Estimação II" tem recebido muitos elogios pela sua perícia técnica e pela sua narrativa original. Embora não haja nenhuma narração ou diálogo, uma história elaborada é entregue usando a língua mais antiga e universal da História: o Simbolismo. Através dos símbolos, o filme consegue fazendo uma crítica mordaz da civilização ocidental de hoje, descrevendo os seus males numerosos e prevendo a sua queda inevitável. Mais importante ainda, uma descodificação completa do simbolismo do filme revela uma poderosa mensagem de iluminação espiritual com base em mistérios antigos. Embora este aspecto esotérico do filme possa não ser entendida por muitos, este é o cerne do filme e é apresentado como a solução definitiva para os males e para a corrupção do mundo de hoje. A conclusão do filme é, portanto, muito pessoal: ou o espectador se torna num bode de estimação com um 666 em código de barras na testa, ou se torna numa figura de Cristo com um terceiro olho. Esta noção de iluminação pessoal é definitivamente  gnóstica e é comum à maioria das escolas esotéricas de pensamento em todas as civilizações.

Concordar ou discordar com a conclusão espiritual do filme é uma questão de crenças pessoais, mas o que é óbvio que "aqueles" que fizeram o "Eu, Bode de Estimação II" estão na posse de todas as  informações sobre ocultismo, esoterismo e até mesmo conspiração. Cada cena tem subjacente uma história profunda - seja ela histórico, política ou espiritual - o que levaria páginas e páginas para explicar completamente. Aí está o poder dos símbolos: eles podem simplesmente ser admirados pela sua beleza estética ou podem, quando completamente compreendidos, revelar uma história profunda sobre a Humanidade, Deus e tudo o resto.


sábado, 7 de julho de 2012

"Jogos de Fome" - Uma amostra da Nova Ordem Mundial

O filme "Jogos de Fome" ("Hunger Games") passa-se num futuro distópico, onde as massas pobres e miseráveis ​​vivem sob a tirania de uma elite rica e de alta tecnologia. 
Será que o filme nos descreve o tipo de sociedade elitista que estão a tentar estabelecer para a Nova Ordem Mundial? Vamos então analisar as características do mundo apresentado em "Jogos de Fome" e como elas se relacionam com os planos para uma Nova Ordem Mundial. 


Lançado por uma campanha de marketing gigantesca, este filme não demorou a tornar-se uma sensação mundial, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Por vezes considerado uma nova saga "Crepúsculo", "Jogos de Fome" tem componentes semelhantes aos que levaram à febre por esse primeiro livro (ou seja, uma jovem dividida entre dois rapazes), mas o último ocorre num contexto muito diferente. 

Situado num futuro distópico (porque é que o futuro é sempre "distópico"?), "Jogos de Fome" pinta um cenário bastante sombrio do mundo de amanhã, seja de um ponto de vista social, económico ou político. Em suma, é um grande pesadelo onde uma elite rica se sustenta por detrás de uma população faminta. Enquanto isso, a perversidade e o voyeurismo da media de massa são levados a níveis absurdos e usados pelo governo como uma cola para manter intacta a ordem social injusta. Será que o filme "Jogos de Fome" está a dar aos adolescentes uma amostra de um futuro não muito distante? Não é preciso uma bola de cristal para ver que a elite está a tentar conduzir o mundo nessa direcção. Vamos analisar o mundo ficcional, mais ainda, possível futuro, de "Jogos de Fome". 

A NOVA ORDEM MUNDIAL PARA ADOLESCENTES 

"Jogos de Fome" ocorre num contexto que vai impressionantemente ao encontro das descrições da Nova Ordem Mundial, planeada pela elite global de hoje. Uma das principais características da Nova Ordem Mundial é a dissolução dos estado-nação regulares para formar um governo único mundial, a ser governado por um poder central. Em "Jogos de Fome", esse conceito é totalmente representado, pois a acção acontece em Panem, uma nação totalitária, que engloba o território norte-americano. Os Estados Unidos e  o Canadá ter-se-iam unido numa única entidade, um passo que muitos prevêem que vá acontecer antes da criação integral da NOM. 

O Presidente de Panem aborda a Nação. 
Em Panem, os conceitos de democracia e liberdade desapareceram para serem substituídos por uma ditadura de alta tecnologia com base na vigilância, monitorização, doutrinação da media de massa, opressão policial e divisão radical de classes sociais. A grande maioria dos cidadãos de Panem vive em condições terceiro-mundistas. Estão constantemente sujeitos à fome, pobreza e doença. Essas difíceis condições de vida são, aparentemente, o resultado de um acontecimento devastador que gerou o completo colapso económico na América do Norte. No Distrito 12, casa do herói Katniss Everdeen, os moradores vivem em condições semelhantes às da era pré-industrial, onde as famílias de mineiros de carvão viviam em barracos improvisados ​​e comiam ratos às refeições. 

Apesar das massas viverem em como se vivia em 1800, são, no entanto, subjugadas a uma vigilância high-tech, imposta por Capitol, que usa a tecnologia para monitorizar, controlar e doutrinar a população. Câmaras de vigilância, chips RFID e hologramas 3D são abundantemente utilizados pelo governo para manipular a vontade de uma população fraca e sem instrução (embora haja sinais de solidariedade e rebeldia entre os camponeses). Para preservar a frágil ordem social, Capitol usa uma força policial maciça que está sempre pronta a reprimir qualquer tipo de revolta. Os trabalhadores são, muitas vezes, confinados a  campos de concentração de civis, onde lhes são mostrados vídeos de propaganda [propaganda, aqui, refere-se a um tipo de informação, geralmente com intuito de manipular] patrocinados pelo Estado. Panem é, portanto, um estado policial de alta tecnologia governado por uma elite poderosa que procura manter as massas numa situação de pobreza e submissão. Todos estes conceitos são também bem representados noutras formas de media; parece haver um esforço consciente para normalizar a ideia de um estado policial de alta tecnologia como a única evolução normal do sistema político actual. 

Vivendo em contraste nítido com o proletariado, a elite em "Jogos de Fome" habita na brilhante cidade de Capitol e entrega-se a todas as extravagâncias e tendências da moda. Esse escalão superior da sociedade vê o resto da população como uma raça inferior para ser ridicularizada, domesticada e controlada. Todos os recursos valiosos foram retirados às pessoas que vivem nos distritos para o lucro de Capitol, criando uma divisão clara e intransponível entre as pessoas comuns e a elite. O conceito de uma elite opulenta que governa uma massa empobrecida e emburrecida (tornando-se assim facilmente governável) é um aspecto importante da Nova Ordem Mundial e é claramente retratado em "Jogos de Fome". A confiança do governo na media de massa e na alta tecnologia de vigilância para manter a população sob controlo é algo que nós já observamos e, se continuarmos nessa direcção, o mundo de "Jogos de Fome" em breve  tornar-se-á realidade. Há outro conceito importante para a elite ocultista que está no coração de "Jogos de Fome": os sacrifícios de sangue para espalhar o medo e ganhar poder. 

SACRIFÍCIOS DE SANGUE PARA A ELITE 

Katniss é escolhida como "tributo" para o seu distrito. 
O governo de Panem criou os "jogos de fome" a fim de lembrar as massas da "grande traição" que cometeram por se terem se envolvido numa rebelião. Como punição pela sua insubordinação, os doze distritos de Panem devem oferecer a Capitol um menino e uma menina, com idades entre 12 e 18 anos, para fazer parte dos "Jogos de Fome". Os adolescentes devem lutar até a morte numa arena ao ar livre, num evento do tipo gladiador romano, transmitido para todo o país. As regras dos jogos refletem o desprezo da elite e total falta de respeito pela população. O nome dos jogos, em si, é um lembrete do estado perpétuo de fome em que a classe mais baixa é mantida pelos governantes, a fim de melhor a controlar. 

Os meninos e meninas seleccionados para participar nos "Jogos de Fome" são chamados "tributos", um termo que geralmente descreve um pagamento proferido por um vassalo ao seu senhor e reflecte, portanto, a servidão da população aos seus governantes. Desde tempos imemoriais que os sacrifícios de sangue eram considerados como a maior forma de "tributo" aos deuses. Tal como os antigos cartagineses sacrificavam crianças ao deus Moloque, os habitantes de Panem têm que sacrificar os seus filhos a Capitol. "Jogos de Fome" são, portanto, uma versão moderna desses rituais anuais em que as massas tinham que participar para evitar a ira dos seus superiores. A nação inteira de Panem é forçada a assistir ao ritual de sacrifício que ocorre em Capitol, incitando o medo, a raiva e a sede de sangue dentro dela, ampliando o poder do ritual. Já vimos que a morte de determinadas pessoas (Whitney Houston, Heath Ledger, Amy Winehouse) se torna num evento da media que se transforma, na realidade, num mega-ritual em que toda a nação participa. "Jogos de Fome" reflecte esse conceito de mega-ritual altamente divulgado. 

Os "tributos" para os "jogos de fome" tornam-se propriedade do Estado e são-lhes revogados todos os direitos. 
Em "Jogos de Fome", a morte ritualística dos jovens escolhidos das massas é vendida como um evento desportivo, uma celebração a nível nacional, empacotada sob a forma de reality show. Os pobres não somente participam nesses eventos humilhantes como também torcem pelos seus favoritos. Porque aceitam tudo isso? Uma das razões é que a media de massa consegue fazer as pessoas aceitarem qualquer coisa... é divertido. 

APELAR AOS INSTINTOS MAIS BÁSICOS

Os jogos são transmitidos à nação, sob a forma de um reality show completo, com os anfitriões de TV que analisam a acção, entrevistam os "tributos" e julgam a sua performance. Os "tributos" são tão doutrinados nessa cultura que prontamente aceitam as regras do jogo e ficam totalmente dispostos a começar a matar para ganhar os Jogos. As massas também participam activamente no evento, torcendo pelos seus representantes distritais, apesar de todo o evento celebrar o seu próprio sacrifício. Isto reflecte um facto triste, mas esta é a verdade sobre os meios de comunicação: qualquer tipo de mensagem pode chegar às pessoas, se conseguir captar o seu interesse. Há duas coisas que automaticamente, quase irresistivelmente agarram a nossa atenção: sangue e sexo, os reminiscentes dos nossos instintos primitivos. A violência pura do evento atrai a atenção das massas, que se esquecem de que os Jogos foram feitos para ser um lembrete da servidão das pessoas à elite. Esse conceito já é bem conhecido e plenamente explorado na media de hoje, visto que as mensagens patrocinadas pela elite são constantemente vendidas aos consumidores como "entretenimento". 

A dada altura, em "Jogos de Fome", a morte de uma menina choca a população, de tal forma que traz um breve momento de lucidez e solidariedade entre eles, pois a morte evidencia a atrocidade dos Jogos. A transmissão ao vivo dessa morte leva a uma violência crescente no seu distrito, os moradores tomam consciência de que participaram em algo terrível. A revolta é rapidamente sufocada pela força policial  do Estado, sempre presente. Além disso, a fim de evitar mais problemas sociais, os produtores do show introduziram um novo elemento: o amor entre Katniss Everdeen e Mellark Peeta, a menina e o menino do Distrito 12. Com a introdução do amor (e consequentemente sexo) no show, os produtores conseguiram acalmar as massas e trouxeram-nas de volta ao seu estado habitual de silêncio. Essa parte do filme reflecte como a media é utilizada pelos poderes que existem hoje. O mundo da série "Jogos de Fome" prova que histórias que habilmente apresentam os ingredientes de sexo e violência conseguem facilmente prender a atenção das pessoas. E, apesar de "Jogos de Fome" parecer denunciar a perversidade e violência nos meios de comunicação social, com certeza está  trazendo ainda mais aos cinemas. 

DESSENSIBILIZAR PARA UM NOVO TIPO DE VIOLÊNCIA 

Embora não haja escassez de violência em Hollywood, o filme "Jogos de Fome" cruza uma fronteira que raramente é vista nos filmes: violência por menores de idade e para menores. Neste filme, vemos crianças com idade entre 12 e 18 anos a esfaquear-se violentamente, cortando, estrangulando e partindo o pescoço de outras crianças - cenas que raramente são vistas em filmes de Hollywood. Embora seja certamente uma forma de o filme capturar a atenção de um público-alvo, "Jogos de Fome" traz à tona uma nova forma de violência que antes era demasiado perturbadora para ser retratada no cinema. Mas, em particular no cenário  de "matar-ou-morrer" de "Jogos de Fome", os espectadores facilmente ultrapassam essa barreira psicológica e encontram-se a gritar durante o filme coisas do tipo: "Vá lá, Katniss, pega no arco e atira na cabeça daquele *****!" 

CONCLUSÃO

"Jogos de Fome" ocorre num mundo que é exactamente o que é descrito como a Nova Ordem Mundial: uma elite rica e poderosa, uma população explorada e embrutecida, a dissolução da democracia, a força policial, a vigilância de alta tecnologia, os meios de comunicação utilizados para propaganda e um monte de rituais de sangue. Não há, de facto, nada de optimista no futuro distópico descrito em "Jogos de Fome". Até mesmo a dignidade humana seria revogada, visto que as massas são forçadas a assistir à morte uns dos outros, como se fossem animais enjaulados. Dito isto, há pouca ou nenhuma diferença entre os cinéfilos que assistem ao filme "Jogos de Fome" e as massas no filme, que testemunham a crueldade dos Jogos. Ambos são participantes dispostos a ver um evento que retrata o seu próprio sacrifício, sob o olhar divertido da elite. Além disso, pode argumentar-se que o filme exerce as mesmas funções que os Jogos no filme: distrair as massas com sangue e sexo, recordando-as subliminarmente do poder da elite. 

Será que "Jogos de Fome" está a tentar avisar um jovem apático dos perigos de permitir que o sistema actual se transforme num pesadelo totalitário? Ou será que está simplesmente a programá-lo para aceitar a chegada de uma Nova Ordem Mundial como uma inevitabilidade? Isto é um bom tema de debate. Mas, ao ler o que foi dito nos meios de comunicação sobre o filme, há um debate ainda mais ardente sobre "Jogos de Fome": O leitor é da equipa de Peeta ou da equipa de Gale? 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

"Contágio" - Como os Filmes de Desastres Educam as Massas

Artigo traduzido: 

Os filmes de Hollywood são normalmente apresentados como uma forma de entretenimento, mas os seus enredos muitas vezes escondem uma agenda específica. "Filmes de desastre", filmes sobre o fim do mundo através várias crises em massa, são particularmente interessantes uma vez que seguem a mesma fórmula básica e glorificam as mesmas entidades. Neste artigo, veremos o filme de desastre "Contágio" e como ele "ensina" os telespectadores em quem confiar e em quem não confiar durante uma crise. 


A maioria das pessoas assiste a filmes para se divertir. Bem, particularmente não posso dizer que havia algo de divertido no "Contágio". Na verdade, a única diferença entre esse filme e aqueles filmes educativos patrocinados pelo Estado apresentados nas escolas é que, com o "Contágio", o público tem que pagar para ser doutrinado... e para ver Matt Damon. Durante a guerra fria, foram mostrados vídeos aos alunos a instruí-los de como se deveriam protegerem em caso de ataque nuclear. "Contágio" condiciona as massas a esperar a Lei Marcial e a confiar na primeira vacina disponível durante uma crise. 

Com mega-estrelas de Hollywood como Matt Damon, Laurence Fishburne, Jude Law e Gwyneth Paltrow, "Contágio" é um filme de alto custo, mas também um grande comercial que promove agências nacionais (americanas) e internacionais específicas, incentivando determinados comportamentos do público. O enredo do filme parece inspirar-se no grande susto do H1N1 de 2009, que deixou muitos cidadãos com dúvidas sobre o risco real do vírus. Na verdade, depois de meses de notícias aterrorizadoras, coroadas por uma campanha de vacinação em massa, uma parcela importante da população concluiu que o pânico em torno do H1N1 foi grosseiramente exagerado e que a vacina era desnecessária. 

Esta pesquisa, realizada em Novembro de 2009, mostra que 53% dos canadianos acreditam que os riscos associados ao vírus H1N1 foram exagerados. 
Na sequência desta "crise", a Organização Mundial de Saúde (OMS) foi duramente criticada e até acusada ​​de conluio com a Big Pharma para vender vacinas. Os Centros para Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) também tiveram a sua credibilidade manchada quando investigações revelaram que a agência enganou o público acerca do número de casos reais de H1N1 (por exemplo, veja o relatório da CBS News). Como resultado, essas duas agências precisavam de um bom golpe de publicidade para restaurar a sua credibilidade e para ganhar novamente a confiança do público. É aí que entra "Contágio". 

Dirigido por Steven Soderbergh, "Contágio" foi produzido com a cooperação activa do CDC, da OMS e  de outras organizações governamentais cujas funções eram claras: apresentar um cenário de desastre hiper-realista para justificar as campanhas de vacinação promovidas por essas agências, desacreditando aqueles que as criticam. 

Nada no filme parece mostrar que esta seja uma obra de ficção. Muito pelo contrário, tudo em "Contágio" é feito para ser o mais realista possível, fazendo uso dos verdadeiros locais e agências governamentais, para tornar a história tão credível - e tão assustadora para as massas - quanto possível. Como o slogan do filme diz: "Nada se espalha como medo"... e como esse filme tenta espalhar o medo! A mensagem do filme é: "Nada foi exagerado, e da próxima vez que houver um surto de vírus, escute-nos... ou morrerá". 

A FUNÇÃO DOS FILMES DE DESASTRES 

Filmes de desastres são frequentemente aventuras fascinantes cheias de acção e emoção que, por vezes, utilizam o lado "e se isso acontecesse" das coisas. Enquanto alguns são muito exagerados e roçam a fantasia, outros, como "Contágio", enfatizam eventos reais. Esses filmes tendem a chegar facilmente ao coração dos telespectadores, porque levam-nos a pensar que "isto podia acontecer comigo". Filmes de desastres exploram o medo latente que acontecimentos recentes causaram ​​na psique das massas, explorando a ansiedade e trauma, a fim de criar tensão e terror nos espectadores. De seguida, o filme propõe a melhor (e única) maneira de resolver essas questões. Grupos específicos e agências são lançadas como honrosas, úteis e confiáveis durante o tempo de crise, enquanto outras são retratadas como obstáculos e até mesmo enganosas. O drama que se segue torna-se um caso de PROGRAMAÇÃO PREDICTIVA: as medidas tomadas no filme para resolver um problema parecerão normais à população, se algum dia passarem por essa situação na vida real. 

No seu livro "Propagandes Silencieuses" (Propaganda Silenciosa), o jornalista e escritor Ignacio Ramonet descreve a sempre presente "mensagem por detrás" encontrada em filmes de desastres:
"Em todos os casos, o desastre gera uma espécie de "estado de emergência", que entrega todos os poderes e meios de transporte às entidades estatais: a polícia, o exército ou "a tripulação". Retratado como o último recurso, essas instituições são as únicas capazes de enfrentar os perigos, a desordem e a decadência que ameaça a sociedade, graças à sua estrutura e conhecimento técnico. (...) Como se fosse impensável apresentar ao público em geral um desastre que não tivesse que ser resolvido pelas autoridades do Estado e poderes governamentais."  
- Ignacio Ramonet, "Propagandes Silencieuses"
Juntamente com a importância suprema das autoridades, as massas são inevitavelmente retratadas como uma manada de idiotas propensas a pânico, que devem ser mantidas na ignorância.
"Outra constante encontrada em filmes de desastres é a infantilização dos civis. A amplitude da catástrofe e do perigo que a população estão a enfrentar é muitas vezes escondida dela. Ela  é sempre mantida fora de qualquer processo decisório, com excepção dos gestores e técnicos (engenheiros, arquitectos, empresários) que às vezes são chamados a intervir nas crises, mas sempre através de autoridades do Estado. 
O público em geral é muitas vezes confundido com entretenimento inútil e incentivado a obedecer sem questionar a uma elite "paternal e benevolente" que está a fazer de tudo (até ao ponto de se auto-sacrificar) para os proteger. 
Estes aspectos, juntamente com outros, provam que os filmes de desastres, além do seu valor de entretenimento, também apresentam uma "resposta política" a uma crise. Atrás de um modo ingénuo de narrativa fantástica, uma mensagem silenciosa é comunicada ao público: o profundo desejo dos governantes e de entidades como o exército, a polícia ou "homens importantes", que assumem o comando da restauração e a reconstrução de uma sociedade em crise, de resolver a situação, mesmo que isso signifique sacrificar parcialmente a democracia." 
- Ibid.
"Contágio" segue o "estilo Ramonet" dos filmes de desastres. Desde o início, organizações específicas são identificadas como "as tais" e é-lhes automaticamente atribuído o poder de agir em grande escala, ou seja: FEMA, OMS, a Cruz Vermelha Americana e o CDC. 

Então que solução é que "Contágio" propõe em caso de um surto de uma doença mortal? A Lei Marcial e vacinações em massa. O que acontecerá se algum dia uma doença dessas se alastrar? Lei Marcial e vacinações em massa. Será que a população questionariam este tipo de resposta drástica para uma crise, que pode ou não ser necessária? Não, porque centenas de horas de conteúdo na media prepararam as massas para esse tipo de situação. Vejamos os principais componentes e mensagens encontradas em "Contágio". 

O MEDO ESPALHA-SE MAIS RAPIDAMENTE QUE OS GERMES 

O filme começa por mostrar como alguns pessoas indivíduos, na sua rotina diária, podem facilmente contaminar milhares de outras pessoas. O ponto da introdução é simples: um vírus mortal pode espalhar-se pelo mundo numa questão de dias. Este cenário realista, mas terrível, é uma maneira muito eficaz de prender a audiência e causar um estado de medo. Durante estas cenas, a câmara foca durante alguns segundos extra objectos comuns que podem transmitir microorganismos, tais como copos; apenas o tempo suficiente para o espectador perceber: "Ei, eu às vezes toco nessas coisas! Isso poderia ser comigo! Aaaah!" 

Este homem doente pode infectar todo o autocarro. Para adicionar ao drama um factor assustador, eles referem grandes cidades e a sua população. 
Cuidado com os copos de água que lhe são entregues... 
Nem mesmo o abraço de uma mãe é seguro. 
A maioria dos que estão infectados com o vírus não vivem por muito tempo. Numa série de cenas comoventes, uma das personagens principais, Mitch Emhoff (interpretado por Matt Damon), vê a sua esposa e o seu filho perderem a vida. Os espectadores dessa tragédia são levados a pensar "Ei, isso é a pior coisa  que poderia acontecer comigo!" 

Ver Beth Emhoff (interpretada por Gwyneth Paltrow) morrer com o vírus é bastante preocupante e certamente ajuda a criar um clima de medo. 
O filme foi lançado apenas dois anos após o surto de H1N1 e a alta cobertura da media, então o medo  ainda está latente em muitas pessoas. Estas cenas do "Contágio" reactivam o "vírus do medo" que foi semeado nas pessoas. Depois de alguns minutos de cenas que induzem de pânico, a maioria dos espectadores vai dizer "Oh meu Deus, alguém faça alguma coisa com esse vírus! Esse homem perdeu a sua esposa e o seu filho, isso é horrível!". Depois, os heróis vêm ao prato e assumem o controlo das coisas... e eles estavam envolvidos na realização do filme. 

AS ORGANIZAÇÕES QUE ASSUMEM COMANDO 

Em "Contágio", quando o vírus se torna uma ameaça, todo o governo americano escapa para um "local desconhecido" e "procura uma forma de trabalhar online". Enquanto isso, organizações não-governamentais (ONGs) específicas da vida real são identificadas pelo filme como "heróis" e como as pessoas certas para lidar com a crise. Essas organizações são promovidas perante os espectadores e são-lhes conferidas legitimidade e confiabilidade automáticas. No entanto, aqueles que estão informados sobre a agenda da elite mundial para uma Nova Ordem Mundial, sabem que essa elite direcciona as acções dessas organizações, a favor dos seus objectivos. Em suma, o filme diz: "Se uma crise como esta acontecer, o governo vai desaparecer, a democracia será suspensa e as ONGs vão assumir o controlo." 

As agências identificadas pelo filme são:

O CDC (Center for Disease Control), que sempre promoveu campanhas de vacinação.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) - que foi acusada, no caso do H1N1, de espalhar "medo e confusão, ao invés de informações imediatas". No filme, no entanto, a OMS é um factor importante na resolução do problema.
A FEMA (Federal Emergency Management Agency) e a Cruz Vermelha Americana controlam os civis. "Contágio" mostra aos telespectadores como as situações de emergência poderiam trazer rapidamente a Lei Marcial, o que levaria à criação de campos de concentração para civis, monitorizados pela FEMA (que precisava de uma boa imagem depois do furacão Katrina).
E claro, o exército dos EUA está em todo o lado, uma vez imposta a Lei Marcial, a "imposição do regime militar, pelas autoridades militares sobre as regiões designadas em caráter de urgência" é um dado adquirido. 
Assim, na sequência de uma "crise biológica", o governo americano, democraticamente eleito, basicamente se dissolve, e organizações específicas (CDC, a OMS, a FEMA, o Exército dos EUA) encarregam-se de todos os aspectos da sociedade. E esse "tomar conta" procede-se de uma forma muito específica: a Lei Marcial e campos de concentração de civis.

LEI MARCIAL 

Em "Contágio", o vírus mortal é designado por MEV-1 e o resultado social da epidemia é retratado de uma maneira específica. Primeiro, a população em geral, sempre retratada como idiota, como gado e propensa à violência, perde o controlo. As massas são sempre apresentadas em pânico, a gritar, a roubar, a assaltar e a lutar. Isto leva ao colapso geral da ordem social e a um estado de anarquia. 

Um grupo de pessoas rudes a assaltar uma farmácia para obter medicação. 
Onde quer que as pessoas sejam colocadas juntas, todo o tipo de problemas acontecem. Isso conjuga-se com o conceito de "infantilização" das massas, que necessitam ser controladas por um responsável ou por  autoridades "paternalistas".

O Exército dos EUA impõe a Lei Marcial e coloca o Estado de Minnesota em quarentena, bloqueando todo o tráfego para fora do Estado. Aqueles que procuram abandonar o Estado são mandados voltar para casa. 
Os cidadãos são então direccionados para os campos da FEMA. 

Este estádio foi transformado num acampamento FEMA. 
Os civis (mesmo saudáveis) têm seus os direitos revogados e são direccionados para os campos FEMA, onde são alimentados e alojados. Nesta cena, a falta de "refeições individuais" para alimentar toda a população do campo provoca um pequeno motim. 
O TEÓRICO DA CONSPIRAÇÃO 

Se alguns grupos e organizações são identificadas pelo filme como "competentes" e "confiáveis", outros grupos obtêm um tratamento muito diferente, ou seja, os meios de comunicação alternativos. Personificada por um blogueiro chamado Alan Krumwiede (interpretado por Jude Law), a media alternativa é apresentada como fonte não confiável, ​​empenhadas em sensacionalismo e lucro. Por outras palavras, o filme insinua que a informação que não vem de fontes "oficiais" são inválidas e potencialmente perigosas. Não é exactamente uma mensagem de expressão pró-liberdade. 

"Soro da Verdade", um blog dirigido por Alan Krumwiede, assemelha-se a muitos sites da web de "notícias alternativas". Este tipo de informação, que não vem de meios de comunicação ou de fontes governamentais, definitivamente não é retratada de forma positiva. 
Desde o início, Alan Krumwiede é retratado como um blogueiro um tanto duvidoso, com uma ética de trabalho questionável e que não ganha muito respeito do jornalismo e nem da comunidade científica. Quando ele tenta que uma das suas histórias fosse publicada num jornal, The Chronicle, é rejeitado por falta de evidências. Quando ele entra em contacto com um cientista a respeito do vírus, o cientista responde: "Blogar não é escrever, são grafittis com pontuação." 

Apesar desta falta de respeito por parte dos organismos "competentes", Alan Krumwiede tem uma audiência ampla e conta com "milhões de visitantes por dia" no seu site. Nele, ele afirma que a cura para o vírus MEV-1 existe e se chama Forsythia, mas é reprimido pelos poderes constituídos para vender vacinas. Ele também alerta os seus leitores para não tomarem a vacina que é dada pelas autoridades. 

O governo aparentemente não tolera esse tipo de dissidência. É criada uma armadilha criada, por um agente infiltrado, para conseguir prender Krumwiede. Quando ele descobre a manobra, o agente diz: "Alan, eu não tive escolha, eles já viram o seu blog." De seguida, agentes do governo aparecem do nada e Krumwiede é preso por "fraude contra a segurança, conspiração, e muito provavelmente assassinato." 

Krumwiede é preso devido ao conteúdo de seu blog. "Contágio" envia uma mensagem poderosa contra as fontes "alternativas" de informação: Afastar-se das "fontes oficiais" é perigoso e contra a lei. 
Mais tarde, sabe-se que Forsythia foi uma mentira e que Krumwiede arrecadou 4,5 milhões de dólares ao promovê-la aos seus leitores. O chefe de Segurança Interna quer metê-lo na cadeia por um "longo, longo tempo". No entanto, devido à sua popularidade, Krumwiede consegue uma fiança porque, como o chefe de Segurança Nacional afirma: "Evidentemente, há 12 milhões de pessoas loucas, como você."  

A personagem de Alan Krumwiede e a maneira como ele é retratado é interessante por várias razões. Primeiro, ele reflecte a crescente influência dos blogs e sites alternativos na opinião pública - um fenómeno recente que não se coaduna com os objectivos da elite, que pretende o monopólio da informação. Ao retratar a personagem como desonesta, corrupta e até mesmo perigosa para o público, o filme justifica a segregação de tais escritores e até mesmo a sua prisão. Ninguém no filme parece importar-se que isso seja uma violação directa da Primeira Emenda. 

Em segundo lugar, quando a vacina H1N1 foi lançada, em 2009, e as campanhas de vacinação em massa foram organizadas, muitos cidadãos e figuras de autoridade, incluindo autoridades de saúde pública, médicos e especialistas pronunciaram-se contra ela. Alegaram que a vacina era desnecessária, insuficientemente testada e que teria efeitos colaterais negativos. Ao associar a figura corrupta de Alan Krumwiede com o "movimento anti-vacina", o filme desacredita todos aqueles que questionam a necessidade de campanhas de vacinação em massa. Se um outro vírus atacar, os espectadores de "Contágio" podem ser mais propensos a ignorar esses movimentos. Por outras palavras, o filme diz: "Os teóricos da conspiração são mentirosos, corruptos, perigosos para a segurança pública e devem ser presos. Não lhes dê ouvidos. Eles fazem dinheiro com curas falsas." No entanto, aqueles que ganham ainda mais dinheiro com essas vacinas falsas são bons. "Ouça as autoridades e obtenha a vacina... ou então morrerá."

A ÚLTIMA SOLUÇÃO 

Depois de meses de horror e centenas de milhões de mortes, uma solução final surge e salva a Humanidade: a vacinação em massa. 

Qual é a única solução para o problema? A campanha de vacinação em massa. 
Aqueles que recebem a vacina obtêm o privilégio de usar uma pulseira rastreável. Isso permite-lhes frequentar lugares públicos, como centros comerciais. 

Ou se vacina, recebe um código de barras e frequenta lugares públicos. Ou não se vacina, fica em casa... e morre. 
CONCLUSÃO 

"Contágio" pode ser apresentado como uma obra de ficção, mas transmite várias mensagens importantes que as autoridades precisam que o público aceite. Para isso, o filme define um problema específico, que de facto ocorreu no passado, identifica as agências que têm o direito de assumir o comando da situação e propõe a única solução possível para corrigir o problema. Essa solução não é simples: a dissolução do governo, a imposição da Lei Marcial, a criação de campos de concentração para civis, campanhas de vacinação forçada e a supressão da liberdade de expressão. A democracia e os direitos civis são sumariamente suspensos e testemunhamos a criação de uma sociedade altamente controlada e monitorizada (utilizando um código de barras). 

São os filmes de catástrofe como "Contágio" exclusivamente criados para o entretenimento ou são também usados ​​para "doutrinar" o público sobre o que é aceitável e o que não é quando ocorrer uma catástrofe? Será que a Organização Mundial da Saúde participa num filme apenas para entreter as pessoas? Facto interessante: O filme foi lançado em DVD ao mesmo tempo que a OMS foi acusada de exagerar a taxa de mortalidade da nova gripe aviária H5N1. A OMS recentemente também permitiu a publicação de investigação controversa que descreve a criação de uma versão mutante e altamente contagiosa do vírus. Poderia uma versão mais reforçada do vírus ser propositadamente lançada sobre o público para justificar a Lei Marcial? Espere, talvez eu não deveria dizer essas coisas. Eu não quero ser preso por "conspiração, fraude contra a segurança e muito provavelmente assassinato". 


[Vídeo] Bode de Estimação

Uma história sobre o fogo no coração do sofrimento. Reunindo bailarinos, músicos, artistas visuais e animadores 3D, o filme lança um olhar crítico sobre os acontecimentos da última década que moldaram o nosso mundo. Simplesmente incrível, perturbador, mas incrível. 
Ao chegar aos 7:26, o vídeo salta directamente para os 7:28... ou seja o tempo 7:27 (7/27 ou no nosso calendário 27/7) não é apresentado. 27 de Julho é o dia da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. 


ANÁLISE DO VÍDEO: 


Illuminati Symbolism - Heliofant showing the next 9/11 False Flag 



I Pet Goat 2 - Olympic's 2012 Analysis


terça-feira, 3 de julho de 2012

A Interpretação Oculta do Filme "O Cisne Negro"

Artigo traduzido: 

"O Cisne Negro" (Black Swan) é um thriller psicológico intenso que descreve a metamorfose de uma bailarina para o Cisne Negro. Por trás da fachada bizarra do filme está uma reflexão profunda sobre o preço da fama, o sacrifício dos artistas e as forças ocultas por trás do mundo sombrio do entretenimento. Vamos olhar para o simbolismo oculto do filme e para os seus temas, relacionados com o lado escuro do show business. 


Dirigido por Darren Aronofsky, "O Cisne Negro" segue a tímida bailarina Nina ao longo do seu caminho para o sucesso no exigente mundo do ballet profissional. "O Cisne Negro" pode ser considerado um complemento do filme anterior do director, "O Lutador" (The Wrestler), que também descreve os altos e baixos de uma pessoa perturbada, que trabalha num campo menos conhecido nas artes performativas: o wrestling profissional. Embora ambos os filmes exploram temas similares (como por exemplo, o sacrifício pessoal a favor de um bom desempenho), o mundo em que Nina está inserida e os obstáculos que ela tem de suportar são diametralmente opostas aos de "O Lutador". Randy "The Ram" Robinson é um homem da classe trabalhadora ("blue-collar guy"), que vive numa cidade de gente dessa mesma classe, e tem de lidar com a dor física causada pelo seu estilo de vida. Nina, por outro lado, actua no refinado mundo do ballet e as suas lutas são de natureza psicológica, emocional e até espiritual. 

Costumo salientar que grandes obras de arte podem ser interpretadas de várias maneiras, dependendo do conhecimento e experiência de cada espectador. Este filme não é excepção... há de facto inúmeras formas  de interpretar o enredo do filme. Através da utilização de significados e símbolos, no entanto, o filme alude claramente a muitos temas previamente discutidas no The Vigilant Citizen: o lado obscuro e oculto da fama, a dualidade, o controlo mental baseado no trauma, a criação forçada de um alter-ego, e muito mais. A personagem principal, Nina, passa por uma mudança metafísica - ao entrar em contato com o seu "lado negro" - a fim de obter um melhor desempenho. Essa mudança é-lhe imposta a pelo seu manager, neste caso, o director do ballet. O filme usa referências subtis ao controlo mental baseado no trauma para explicar a criação de um alter-ego independente na psique de Nina. 

Apesar de "O Cisne Negro" ser ficção, ainda assim explora realidades ocultas da grande palco do mundo  da arte e da representação. Há numerosos exemplos de artistas que abraçaram os mais obscuros alter-egos a fim de levar a sua arte para "outro nível"... e muitos, em última análise, são consumidos por eles. Vamos olhar para os elementos de ocultismo e de controlo da mente em "O Cisne Negro" e ver como eles se relacionam com algumas das realidades do mundo do entretenimento profissional. 

RESUMO DO FILME

"O Cisne Negro" é uma releitura moderna do clássico ballet de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, "O Lago dos Cisnes". No filme, o director de ballet, Thomas Leroy (interpretado por Vincent Cassel), descreve para os seus dançarinos a trama básica do ballet: 
"Todos nós conhecemos a história. Menina virgem, pura e doce, presa no corpo de um cisne. Ela quer liberdade, mas somente o verdadeiro amor pode quebrar o feitiço. O seu desejo é quase concedido, sob a forma de um príncipe. Mas, antes que ele possa declarar o seu amor, o gémeo luxurioso, o Cisne Negro, engana e seduz. Devastado, o Cisne Branco salta de um penhasco, matando-se e, na morte, encontra a liberdade." 
Nina, uma jovem tímida e frágil, é escolhido para desempenhar o papel de a Rainha dos Cisnes e deve, portanto, incorporar tanto os puro Cisne Branco como o maléfico Cisne Negro. A sua busca pela perfeição enquanto bailarina leva-a a experimentar, no seu quotidiano, a transformação experimentada pelo Cisne Branco na história do ballet. Os acontecimentos da vida quotidiana de Nina, portanto, espelham a história da personagem que ela assume enquanto bailarina, levando à confusão e, como a linha entre realidade e ficção se desvanece, à aparente insanidade. 

O uso dos espelhos e das reflexões em inúmeras cenas são um lembrete constante de percepção alterada da realidade de Nina. Os espelhos no filme são muitas vezes enganosos e as reflexões de Nina parecem ter "vida própria". Como Nina é assombrada pelo Cisne Negro, esta personalidade suplente ganha uma vida própria e actua fora do controlo consciente de Nina. Explicaremos mais adiante como isso se relaciona com o controlo mental baseado no trauma. 

Para quem ainda não ouviu falar do Controlo Mental Baseado no Trauma - também conhecido por PROGRAMAÇÃO MONARCA - trata-se do processo pelo qual um indivíduo é submetido a trauma intenso e a desumanização, a fim de provocar uma dissociação mental. Isto provoca uma fragmentação da personalidade e permite que ao manipulador criar uma personalidade alternativa que pode ser programada à vontade. Alguns pesquisadores alegam que existem elementos ocultos em acção neste processo. 
"O Projecto Monarca pode ser descrito como uma forma de dissociação estruturada e integração ocultista, a fim de compartimentar a mente em múltiplas personalidades dentro de uma estrutura sistemática. Durante este processo, é realizado um ritual satânico, que geralmente inclui misticismo cabalista, com o objectivo de prender um demónio ou um grupo de demónios ao alter-ego correspondente. A maioria dos cépticos, claro, vêem isto simplesmente como um meio de melhorar o trauma da vítima, negando qualquer crença irracional de que a possessão demoníaca de facto ocorre." - Ron Patton, Project Monarch
Cartaz promocional de "O Cisne Negro". Nina (interpretada por Natalie Portman) é apresentada com uma fissura ao longo do rosto, que representa a fratura da sua personalidade, um conceito importante e símbolo do controlo da mente. 
Vamos agora olhar para alguns dos temas centrais do filme. 

NINA E O SEU TRAUMA

Nina vive num pequeno apartamento em Nova Iorque com sua mãe, Erica, sobre a qual, o mínimo que podemos dizer é arrogante. Podem encontrar-se várias alusões ao controlo mental baseado no trauma no ambiente em que Nina vive e no comportamento controlador da sua mãe. 

Quarto de Nina. Observe as borboletas* na parede, uma referência à Programação Monarca. Junto à janela, um coelho grande e branco, um símbolo de controlo mental proveniente de "Alice no País das Maravilhas" - um conto de fadas usado na programação de escravos MK**. Seguindo o coelho branco, Alice é levada a um mundo alternativo, Wonderland, que, em termos de controlo mental, se refere ao estado dissociativo de um escravo. 
*  Ver ESTE vídeo para perceber o simbolismo da Borboleta. 
** Ler AQUI sobre o Projecto MK. 
A mãe de Nina, uma dançarina de ballet aposentada que não conseguiu tornar-se uma estrela, age mais como uma manipuladora de controlo mental do que como mãe. Ela obviamente tem problemas em respeitar os limites e mantém um rígido controlo sobre todos os aspectos da vida de Nina. Os escravos monarcas da vida real começam, muitas vezes, as suas difíceis vidas como vítimas de abuso na sua própria casa. Símbolos relativos ao controlo mental na casa de Nina, provavelmente, refletem esta triste realidade, incluindo o seu quarto, rosa infantil. 

Todas as noites, Erica Sayers acciona a caixa de música próxima a Nina, a fim de fazer a pequena bailarina dançar. Isto é bastante simbólico do estado de mente controlada em que Nina se encontra. 
Erica Sayers, mãe de Nina, despe à força a sua filha adulta. Essa cena perturbadora retrata a submissão total de Nina perante a sua mãe e fornece também dicas sobre a insalubre "familiaridade" sexual entre as duas. 
Outras pessoas na vida de Nina, aparentemente "predando" a sua fraqueza e "energia de vítima", apoderam-se da sua sexualidade. 

Um velho tarado faz gestos obscenos para Nina durante uma viagem de comboio. Essa cena perturbadora diz muito sobre a relação da Nina com a sexualidade. Os predadores sexuais, por vezes, têm a capacidade doentia de farejar e atacar vítimas de abuso sexual. 
A mãe de Nina tem, portanto, sujeitado a filha a controlo mental baseado no trauma, a fim de torná-la uma mulher submissa que iria realizar os seus sonhos fracassados. Isto fez com que Nina se dissociasse, numa tentativa de tornar a sua existência mais suportável, o que, por sua vez, constitui em Nina o terreno perfeito para a criação de um obscuro alter-ego: o Cisne Negro. 

DESVENDANDO O CISNE NEGRO

Voltando ao enredo, Thomas, o director do ballet, está à procura de uma nova estrela do ballet para desempenhar o papel de Rainha dos Cisnes. Bailarina meticulosa, Nina é perfeita para interpretar o papel do Cisne Branco, mas ela também deve ser capaz de interpretar o Cisne Negro, um papel que exige que a bailarina seja retorcida, sexual e perigosa. Estilo frígida, Nina não é adequada para o Cisne Negro, mas Thomas escolhe-la como a Rainha dos Cisnes de qualquer maneira. Ele sabe que ela tem isso dentro dela, e ele vai trazê-lo à superfície. 

Thomas despoleta o Cisne Negro em Nina. 
A dada altura, Thomas diz Nina:
"A perfeição não está apenas no controlo. Está também em deixar-se ir. Surpreender-se para que possa surpreender o público. Transcendência. Muito poucos têm isso." 
Depois de assistir ao ensaio de Nina, ele diz:
"Eu sabia que o Cisne Branco não seria problema. O verdadeiro trabalho será a metamorfose na sua irmã gémea do mal." 
A fim de obter a perfeição, Nina tem que dominar tanto bem como o mal - a luz e a escuridão. O conceito oculto da dualidade torna-se, portanto, extremamente importante (falaremos mais sobre isso adiante). 

O trabalho de Thomas é criar em Nina um novo, agressivo e sexual alter-ego. Ele torna-se, portanto, um novo manipulador da mente de Nina. Enquanto que a sua mãe "programou" a filha para ser uma bailarina submissa que nunca a questiona, Thomas exige que ela abrace o exacto oposto. Ele representa o próximo nível de Programação Monarca. 

Após o seu encontro com Thomas, Nina, vestida de branco, cruza-se com outra Nina, vestida de preto. Isso representa a chegada da nova Nina, o obscuro alter-ego. 
Para se tornar no Cisne Negro, Nina deve ser capaz de estar mais confortável com a sua sexualidade, e até mesmo apreciá-la. Então, Thomas dá-lhe o trabalho de casa: "tocar em si mesma". Disposta a fazer de tudo para se tornar uma melhor bailarina, Nina tenta masturbar-se, mas a mãe provoca um bloqueio. O prazer sexual torna-se, portanto, uma forma de emancipação do controlo exercido pela mãe e sua iniciação na próxima fase de programação mental. 

Com o Cisne Negro a crescer em poder, Nina começa a alucinar com mutações físicas no seu corpo. A única pessoa que pode ver essas mutações, para além de Nina, é a mãe, que, como manipuladora, tem a "chave" da sua psique. Ela está consciente de transformação gradual de Nina e tenta reprimi-la, sabendo que levará à perda de sua "menininha". 

Nina alucina com todos os tipos de mutações estranhas no seu corpo, que representam o surgimento gradual do Cisne Negro. 
Esta situação reflete a terrível verdade por detrás dos rituais de abuso da vida real. As crianças, que já estão dissociadas devido ao abuso dos pais, são entregues a "instâncias superiores" que continuam o processo de programação. Neste caso, Nina está entregue ao mundo do entretenimento (conhecido por usar a Programação Monarca em celebridades) para criar nela um alter-ego destinado a ser uma estrela de renome mundial. 

Thomas apresenta a nova Rainha dos Cisnes, Nina. 
Para que Nina se torne o novo Cisne, alguém tem de sair. 

BETH MACINTYRE: A ESTRELA ENVELHECIDA QUE FOI POSTA DE LADO

Beth MacIntyre, na cerimónia de coroação de Nina. Ela acaba de saber que já não é a Rainha dos Cisnes. Obviamente, ela não está contente. 
Beth MacIntyre (interpretada por Winona Ryder) é a anterior estrela da companhia de ballet. No entanto, ela está a envelhecer e a "perder a vantagem". Como veterana, Beth já passou pelo "processo de Cisne Negro" e, como algumas pessoas podem dizer, ela "vendeu a alma ao diabo". Embora este acordo lhe tenha dado os seus anos de glória, no final, o processo acaba por destruí-la. Ela tornou-se uma pessoa amarga, arrogante e detestável, que é incapaz de existir sem ser como Cisne Negro. 

Há muitos casos na vida real de celebridades que sofrem o mesmo destino. Depois de serem recrutadas, programadas e preparadas pela indústria para se tornarem uma super estrela, de repente caem no esquecimento. Estando psicologicamente danificadas, sem saber quem realmente são, as estrelas caídas afundam-se em depressão, drogas, alcoolismo e até suicídio. 

Thomas, que era manipulador de Beth (chamava-a de "minha princezinha", um disparador de controlo mental) já não precisa do alter-ego que criou nela. No entanto, é impossível "desprogramá-la". Então, ela perde completamente a cabeça. No dia seguinte, a companhia de ballet descobre que ela foi atropelada por um carro. Thomas diz: 
"Eu também estou certo de que ela fez isso de propósito. Tudo o que Beth faz vem de dentro, de algum impulso obscuro. Eu acho que isso é o que a tornava tão emocionante... tão perigosa... mesmo perfeita, às vezes. Mas também tão terrivelmente destrutiva." 
Assim, o "espírito", o alter-ego que consumiu e destruiu Beth, foi também a força oculta por detrás das suas grandes actuações. O público sempre foi fascinado por artistas intensas e inspiradas, capaz de tocá-los a um nível primitivo e visceral. Dependendo do desempenho, esta fonte de transcendência artística tem sido atribuída ao divino ou ao diabo. Artistas polémicos e inovadores oscilam muitas vezes entre brilhantismo e insanidade. As pessoas religiosas podem dizer esta "força" não é nada mais nada menos que a possessão do espírito; os cientistas podem dizer que é um tormento psicológico que leva à criatividade. Não importa o termo usado para essa "força", que certamente existe e é aproveitada por alguns dos artistas mais influentes do mundo. Beth hospedava esta força, que a destruiu completamente... e agora é a vez de Nina. 

O CISNE NEGRO ASSUME O CONTROLO (Asas Negras e Espelhos)

Um poster simbólico do filme. Da pequena bailarina nasce, como um Phoenix das cinzas, um Cisne Negro, gigantesco e ameaçador. 
O Cisne Negro é a força artística brilhante ainda que espiritualmente destrutivo que Thomas quer ver surgir em Nina. Ele conhece, obviamente, os poderes devastadores do Cisne Negro, mas não se importa, nunca se importou: ele procura o melhor desempenho. Quando Nina foi absorvida pelo Cisne Negro, ele vai encontrar outra bailarina para a substituir. Ele representa a indústria do entretenimento, que manipula os artistas para que se tornem cisnes negros e, em última análise, destruindo-os quando os efeitos do Cisne se tiverem apagado. 

Asas Negras 

A "força" do Cisne Negro é simbolicamente representada pelas asas negras, em diferentes fases do filme. 

Pouco depois de ser coroada Rainha dos Cisnes, Nina fica fascinado por essa estátua assustadora. Mal ela sabe que representa o que ela está prestes a tornar-se.
Asas negras nas costas de Lily (interpretada por Mila Kunis), enquanto ela está a "dar prazer" para Nina. As asas negras representam a "força" que está em comunhão com Nina. Está a penetrá-la, dando-lhe o orgasmo, mas está também a tomar o controlo sobre a sua vida.
Nina no final de seu desempenho "perfeito" como o Cisne Negro. Apresentada com asas negras, a indicar que ela se tornou "um" com o Cisne Negro. 
Outro cartaz simbólico. "O Cisne Negro" fálico é aparece aqui a "penetrar" a psique de Nina. 
Espelhos

Os espelhos são usados durante todo o filme para reflectir, simbolicamente, o verdadeiro estado da psique de Nina. 

No espelho, um reflexo assustador que tem uma mente própria. Com o avanço da  metamorfose, Nina percebe que uma entidade totalmente à parte vive dentro dela,  actuando completamente fora do seu controlo. Como simbolismo do controlo mental, os reflexos no espelho representam um alter-ego escravo, que é programado e manipulado. 
Imediatamente antes do seu grande desempenho como Cisne Negro, Nina luta contra si mesma no seu camarim. Durante esta luta entre Nina e o Cisne Negro, o espelho parte-se, o que representa o colapso da fronteira psicológica que separa ambas as entidades. Quebrando o espelho, Nina passa a ser o Cisne Negro. 
O MAGNUM OPUS E O SACRIFÍCIO 

Na estreia da peça, Nina tem um desempenho espectacular. Ela desempenha com sucesso o doce e tímido Cisne Branco e, quando chega a altura, ela é tomada pela "força" para se transformar no maléfico, mas emocionante, Cisne Negro. Ao casar o Branco e o Negro, o bem e o mal, a luz e a escuridão, Nina alcançou um sucesso magnífico, o caminho oculto da iluminação. 

O processo, no entanto, consumiu-a. Ao permitir que o Cisne Negro a possuísse completamente, Nina protagonizou o desempenho de uma vida, mas tornou-se numa pessoa diferente. Thomas e as audiências estão em delírio com Nina enquanto Cisne Negro - da mesma forma o príncipe, no ballet, se apaixona pela maléfica irmã gémea do Cisne Branco. Mas esta não é a verdadeira Nina. O Cisne Negro é uma força destrutiva com a qual ela não consegue viver: Nina está atormentada física e psicologicamente. Não é possível continuar. A única maneira de Nina se libertar, é matar-se. E é isso que ela faz. 

Nina morre no final da sua performance. As suas últimas palavras são: "Eu estava perfeita". 
Isto faz lembrar o auto-sacrifício de alguém? 


Lady Gaga "sacrificada" na sua performance no VMA 2009. 

CISNES NEGROS DA VIDA REAL

Beyoncé e Sasha Fierce, um equivalente da música pop ao Cisne Branco e Negro. 
Existem reais (e trágicos) exemplos de artistas brilhantes que foram consumidos por um papel intenso. Ou eles se auto-destruíram ou morreram como um sacrifício ritual. Será "O Cisne Negro" um comentário sobre este misterioso fenómeno? 

Um exemplo recente de um papel auto-destrutivo é Joker de Heath Ledger em "O Cavaleiro das Trevas".

Fontes próximas de Heath Ledger apontam o seu papel como Joker como causa da sua morte. 
Jack Nicholson alertou Heath Ledger acerca do seu papel como Joker 
Heath Ledger pensou que conseguir o papel de Joker era um sonho - mas agora alguns pensam que foi um pesadelo que o levou a uma trágica morte. 
Jack Nicholson, que interpretou o Joker em 1989 - e que estava furioso por não ter sido consultado sobre o papel assustador - teceu um comentário enigmático quando soube que Ledger estava morto. 
"Bem", disse Nicholson aos repórteres, em Londres, "Eu avisei." 
Embora o comentário seja ambíguo, não há dúvida de que o papel no filme, apontado como grande sucesso deste verão, teve um efeito assustador. 
Ledger tinha dito recentemente aos jornalistas que "dormia uma média de duas horas por noite" enquanto protagonizava o papel de "um psicopata, assassino em massa, palhaço esquizofrénico com zero de empatia... 
"Eu não conseguia parar de pensar. O meu corpo estava exausto mas a minha mente não parava." 
"A medicação não ajudou", disse ele. 
NY Daily News, Fonte
Para saber mais sobre Heath Ledger, leia este artigo sobre o seu último filme e símbolos relacionados com o seu sacrifício  “The Imaginarium of Doctor Parnassus” and Heath Ledger’s Sacrifice. 

Outro exemplo de um actor que morreu em circunstâncias misteriosas depois de protagonizar o papel de uma personagem diabólica é Brandon Lee em "O Corvo". 

Brandon Lee morreu misteriosamente durante as filmagens de "O Corvo". A história oficial da sua morte é ainda amplamente contestada. A cena em que ele morreu foi altamente simbólica. 
Além desses dois casos extremos, existem muitos casos de artistas que, depois de anos de brilho, misteriosamente se auto-destroem. Drogas e suicídio são frequentemente responsabilizados pelas tragédias, mas quem sabe o que realmente aconteceu com Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Jim Morrison, para citar  só alguns? 

CONCLUSÃO 

"O Cisne Negro" é um filme profundo, que pode ser interpretado a vários níveis. Analisámos os elementos de ocultismo e de controlo mental do filme e as suas mensagens sobre o mundo sombrio do espectáculo. A mensagem do filme sobre o casamento do mundo do entretenimento com forças ocultas é algo que tem sido discutido inúmeras vezes no The Vigilant Citizen. Embora o conceito raramente seja discutido ou sequer notado pela maioria das pessoas, quem pertence ao mundo de entretenimento lida muitas vezes com forças estranhas de diferentes tipos, nos seus trabalho nessa indústria. 

Através da metamorfose de Nina, de um tímido ninguém para uma super estrela, os espectadores experimentam o lado obscuro do entretenimento. O controlo mental, manipulação e imoralidade colidem com sucesso e reconhecimento. Impulsos obscuros, vícios e auto-destruição surgem com o génio artístico e brilho criativo. Aqueles que estão a comandar o espectáculo sabem como trazer à superfície o Cisne Negro de artistas... e sabem muito bem que isso vai destruí-los a longo prazo. E eles lidam bem com isso. Da mesma forma que Beth foi posta de lado para se dar as boas vindas a uma nova Rainhas dos Cisnes, o público vai sempre dar as boas vindas a mais uma nova estrela da elite, com aplausos e elogios. Porque, como dizem, "the show must go on". 


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